Executivo diz que parte da propina de esquema virou doação oficial ao PT

 
 

O executivo Augusto Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, uma das fornecedoras da Petrobras, disse em depoimento dado em outubro à Polícia Federal, com base em acordo de delação premiada, que parte do pagamento de propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque era direcionada ao PT como doação oficial ao partido.Segundo Mendonça Neto, as doações, em valor aproximado de R$ 4 milhões, foram feitas entre 2008 e 2011 a pedido de Duque.
 
O valor, segundo o executivo, era referente ao pagamento de propina para a realização de obras na Refinaria do Paraná (Repar). Ele disse em seu depoimento que o pagamento ao ex-diretor de Serviços da Petrobras também era feito em dinheiro e por "remessas em contas indicadas no exterior".
 
O executivo afirmou que negociou o pagamento de propina diretamente com Duque, mas explicou que normalmente tratava do assunto com o então gerente da área de Serviços da estatal, Pedro Barusco.
 
Mendonça Neto afirmou que, em 2008, conversou pessoalmente com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no Diretório da legenda, em São Paulo.
 
De acordo com Mendonça Neto, para justificar o pagamento de propina, a Toyo Setal firmou contrato de prestação de serviços com cinco empresas de fachada. No depoimento, o executivo afirma que os contratos eram "simulados". As empresas disponibilizavam então, segundo Mendonça Neto, dinheiro em espécie ou remetiam os valores ao exterior.
 
'Clube de empresas'
 
No depoimento, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto detalhou o funcionamento do chamado "clube de empresas" que teria atuado em licitações da Petrobras e tinha regras como as de um "regulamento de campeonato de futebol".
 
"As empresas discutiram e ajustaram uma forma de proteção entre si. [...] Dentro de um programa de obras, as empresas escolhiam obras mais adequadas e, havendo acordo entre todas, as demais não atrapalhavam a empresa escolhida. [...] Esse grupo de empresas era denominado 'clube'", afirmou Mendonça Neto.
 
Segundo Mendonça Neto, Ricardo Pessoa elaborou uma lista com as empresas que deveriam ser convidadas pela Petrobras para as licitações. O executivo da Toyo Setal disse ainda que a lista era entregue a Renato Duque e ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. Ainda de acordo com o executivo, havia acordo entre as empresas do "clube", Paulo Roberto Costa e Renato Duque sobre "comissões".
 
Em 2004, segundo o depoimento, o então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque fez uma "combinação" com as empresas do "clube", para que se estabelecesse uma lista de convidados em licitações da Petrobras em troca e pagamento de uma "comissão".O executivo afirmou que o percentual partia de cerca de 2% do valor total dos contratos, mas, segundo Mendonça Neto, era negociado posteriormente, como no caso do Repar [Refinaria do Paraná], cujo valor da comissão chegou a quase R$ 60 milhões.
 
Fonte: *leia na íntegra e assista ao vídeo da reportagem
 
http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2014/12/em-delacao-executivo-detalha-regras-de-clube-de-empresas-na-petrobras.html
 

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