Mobilizações - 'é preciso atentar para discretos propósitos'


 
 
É importante iniciar dizendo da relevância deste Movimento Passe Livre cujas mobilizações nacionais presenciamos nas últimas semanas. No entanto, é de se lamentar a debandada bastante inusitada dos seus articuladores, pois muitos esperavam que permanecessem pelo menos até o final da Copa das Confederações devido a sua visibilidade e repercussão mundial.
 
Este fato com certeza criou desalento e também um certo descrédito por parte de algumas camadas da sociedade, afinal não é possível conceber que o objetivo único fosse tão somente a redução ínfima nas tarifas do transporte coletivo. De repente conseguem unir a população e criar uma mobilização histórica e a tanto esperada, e do nada, do dia para a noite, partem em retirada deixando sem rumo a todos os demais integrantes que cooperaram para que a repercussão fosse enorme, inclusive a nível mundial. Fizeram despertar sentimentos como dignidade e orgulho no povo brasileiro, amenizando a vergonha que sentimos perante os cidadãos do restante do mundo, pois estes acreditam sim que o Brasil é o país da corrupção e da impunidade, que protege bandidos e penaliza o cidadão de bem. Se tal fato pode ser afirmado, se tão somente desistiram da luta a partir da redução ínfima, em alguns casos com o cancelamento do aumento dos R$ 0,20, então também podemos afirmar tratar-se de irresponsáveis que agiram alienada e inconscientemente, e que são bastante desinformados dos fatos. Senão vejamos:

O Governo encaminhou no dia 31 de maio, ao Congresso Nacional, Medida Provisória (MP 617), que isentou os serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário e ferroviário de PIS (Programa de Integração Social – ‘abono salarial anual’) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – ‘taxa que incide sobre o faturamento bruto das empresas e destinado a financiar a seguridade social’). Tal desoneração teve um impacto de 3,65% sobre o valor do faturamento das empresas. Isso quer dizer que 3,65% deixaram de incidir sobre o valor da passagem do transporte coletivo.

Em 17 de setembro de 2012, o Governo sancionou o Projeto de Lei de Conversão número 18/2012 (MP 563), desonerando a folha de pagamento das empresas de transporte coletivo rodoviário por meio da substituição da contribuição de 20% sobre a folha de pagamento pelo recolhimento de 2% sobre o faturamento. A medida passou a vigorar a partir de janeiro de 2013. Agora, em 15 de julho de 2013, o governo enviou ao Congresso Nacional, através da (MP 612), a desoneração da folha de pagamento para o transporte coletivo metroviário. A redução de 20% sobre a folha de pagamento das empresas de transporte coletivo rodoviário equivale a 5,58% do faturamento. Subtraindo deste percentual o recolhimento de 2% de tributo sobre o faturamento das empresas, chega-se a um impacto de 3,58% de redução sobre as tarifas. Com estas desonerações, o governo federal proporcionou a aplicação de uma redução de até 7,23% no preço das passagens do transporte coletivo.

A partir destes dados, todos nós, devemos e temos a obrigação de indagar, o porquê dos valores das passagens terem subido em vez de terem sido reduzidos?

Nos últimos cinquenta anos, pelo menos, com o crescimento populacional, alguns poucos, passaram a gerir estas empresas de transporte coletivo no país e a explorar a necessidade de locomoção a longas distâncias em curto espaço de tempo dos cidadãos. E não é de hoje que todos sabemos e reclamamos desta situação caótica. Mas não são estas empresas as únicas a explorar a boa-fé do povo e de nos colocar em situações difíceis, a especulação está presente em diversas outras áreas. Nesse meio empresarial qualquer joguete parece ser válido para obter lucros e aumentar o seu capital. E enquanto permanecem estas enrolações entre governantes e empresários, todos sabidamente oportunistas, quem se dá muito mal somos nós, consumidores dos serviços. 

É importante que tenhamos consciência da seguinte situação: todos nós, ao utilizarmos quaisquer serviços, ao comprarmos quaisquer produtos, estamos pagando e gerando impostos para os governos municipais, estaduais e federal. Estes impostos, pelo menos teoricamente, serviriam para gerar serviços públicos ao cidadão e que pelas vultosas somas pagas, deveriam já ser gratuitos e de excelente qualidade. Mas não é o acontece, nem ao menos respeito e dignidade encontramos, considerando o atendimento grosseiro que recebemos da parte de empregados cujos salários somos nós que pagamos. Então, entenda-se que todos nós já pagamos impostos que estão entre os mais altos do mundo, já pagamos de duas a três vezes o valor de tudo, e se reclamarmos da qualidade, podemos ser punidos, pois alguém lá atrás teve a ‘brilhante ideia’ de inventar um crime contra o cidadão comum, o desacato, que nada mais é do que um efeito punitivo e repressor dos nossos direitos.

Quem pode, se presta a incoerência de pagar novamente e muito caro por serviços colocados no mercado por empresas de particulares. Estes ‘experts em economia’ já pagam impostos como todos nós, pagam novamente e sem querer saber, desgraçam a vida de todos. A isto se chama individualismo, uma espécie não rara de prepotência, de extremada ignorância pessoal e social.

Um dos pontos mais relevantes desta mobilização está sendo a obrigatoriedade da ausência de partidos políticos no meio dos atos. E as tentativas da parte dos militantes destes partidos, que foram reprimidas, tem a obrigação de serem entendidas como arrogância, pois agem como se só eles tivessem direitos, como se ao carregarem uma bandeira partidária estivessem acima de tudo e de todos. Mas o povo comum provou-lhes justamente o contrário, ou seja, que o povo carece sim de bons administradores, mas não precisa de partidos políticos. A maior prova disso são as listas vergonhosas com incontáveis casos de corrupção, construídas ao longo dos últimos vinte e oito anos e para tal, sempre estiveram presentes os partidos políticos de maior expressão como PMDB, PSDB e PT, entre outros menores, que nada mais são do que provas cabais que servem para gerar corruptos e consequentes desvios de R$ 82 bilhões anuais nas suadas verbas públicas, até onde sabemos. Trata-se de uma lamentável e desavergonhada participação de militantes nestes meios. Muito são 'colocados', infiltrados em instituições públicas e que de forma totalmente descabida e inconsciente prestam um desserviço ao país, gerando incontáveis desgraças na vida do cidadão comum. A meu ver, pelo menos vereadores e deputados federais são de uma inutilidade tamanha, um desperdício injustificável, pois uma cidade pode muito bem ser representada por deputados estaduais, que existem justamente para isso, como também deveriam servir para encaminhar para o governo federal as necessidades da sua localidade. Como dados estatísticos, o prejuízo que geram é tamanho que segundo a Controladoria Geral da União – CGU, a cada R$ 100,00 que roubam apenas R$ 1,00 é recuperado. Ao longo da última década roubaram dos cofres públicos no mínimo, pelo que se descobriu, R$ 720 bilhões, logo alguns ‘embolsaram’ este dinheiro, e para os cofres públicos, 'para nós', só retornou a quantia de R$ 7200 bilhões.

Isto tudo é lamentável, é vergonhoso, e não menos corruptos e responsáveis são todos aqueles que se prestam a propagandear e exigir que o povo eleja a estes bandidos, porque quem comprovadamente rouba nada mais é do que ladrão e bandido, indifere se usa colarinho branco ou não.

Para encerrar por hora, é bom que se reflita sobre os valores distribuídos as estas incontáveis e incontroláveis ONG’s existentes no Brasil, serviços ‘filantrópicos’, cujos valores encaminhados a elas ainda não estão contabilizados nos valores da corrupção, como também não o são os encaminhados a tantas outras instituições públicas, até então com administrações tidas como inquestionáveis e de ‘ilibada reputação'.

Mas quem sabe, dentro de um breve período, as pouquíssimas pessoas que de fato queiram nos representar, não resolvam agir, sair de suas cadeiras bastante cômodas e ‘virar este jogo’, afinal estas tais manifestações devem servir para isso, para despertar as consciências, para demonstrar aos que se acham intocáveis que quem verdadeira ordena é o patrão, que no caso, somos nós, eu e você, enfim, povo brasileiro.

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