Recorde: OAB tem 90% de reprovação

Por ISIS BRUM, Estadão

O resultado final do último exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado em dezembro de 2010, é o pior da história da entidade: apenas 9,74% dos bacharéis em Direito foram aprovados em um total de 116 mil inscritos, segundo dados do Conselho Federal da OAB obtidos pelo JT. Nesse universo também estão incluídos os treineiros, estudantes do último ano da graduação (9º e 10º períodos), que tiveram um desempenho muito superior ao dos diplomados (veja abaixo).

Até então, o pior índice do País era de 14% de aprovados, entre os 95,7 mil inscritos no primeiro exame realizado pela OAB no ano passado, de acordo com o jurista e cientista criminal Luiz Flávio Gomes, fundador da rede de ensino LFG. O exame foi unificado em 2010, o que ajuda a explicar, de acordo com Gomes, o aumento no índice de reprovação: a porcentagem de aprovados, na média entre os três concursos anuais, passou de 28,8%, em 2008, para 13,25% em 2010. Antes disso, cada Estado do País aplicava sua própria seleção, o que possibilitava, segundo a OAB, que um candidato se submetesse a provas mais fáceis em algumas regiões do País.

Especialistas acreditam que o mau desempenho dos estudantes também está associado à má qualidade da educação básica, à má formação no ensino superior, à falta de dedicação dos estudantes e à abertura indiscriminada de faculdades de Direito. “Não há um culpado só, todos colaboram. Há deficiências nas faculdades, em geral, mas o aluno não se preocupa muito com o curso”, analisa Gomes. “E o exame está mais difícil”, complementa. Leia mais...

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Pois é... eis aí o reflexo da proliferação das Faculdades de Direito de duvidosa qualidade e que caberia ao poder público, através do MEC, fiscalizar e evitar que isso acontecesse. Reza na Constituição Federal de 1988, artigo 209, que cabe ao poder público fiscalizar as instituições de ensino superior privadas. E, claro, também fiscalizar as instituições de ensino superior públicas!
A OAB defende com unhas e dentes o seu Exame, reprovou e impediu o exercício da advocacia de milhares de bacharéis diplomados que, sem dúvida, não tinham qualquer noção de como exercer a sua profissão, e está certa! Mas, não fiscaliza satisfatoriamente o exercício da advocacia e, a leniência com que trata a questão da representação contra um advogado, demorando demais para cassar ou suspender o registro do mau profissional, é revoltante!
E, somando a tudo, o que vemos é uma advocacia corrompida e deteriorada, uma advocacia que se encontra em franco declínio moral, em que maus profissionais de índole duvidosa, pilantras são a maioria no meio de muito poucos bons profissionais que exercem a advocacia com respeito e dignidade!

Lembrando o trecho de um discurso do Rui Barbosa...

"A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade (…) promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas."

Um comentário:

Eloisa Nunes disse...

Acredito que deveriam ocorrer provas já durante os cursos, em todos, só para ver como estas universidades e faculdades andam trabalhando/ensinando. Não tenho dúvidas que muitas teriam problemas para justificar tão baixo nível, que aliás já vem desde o ensino fundamental. Fica fácil passar marcando "xizinho", já se as provas fossem dissertativas, ai ai ai, seria vergonhoso.