Mas tratando de algo realmente sério, e a tal “reforma política”, sai ou não?

Fora do período dos pega trouxas, ou melhor, do período eleitoral, quando o assunto é reforma política logo surge alguém sugerindo que se mude de assunto, nos parece que principalmente estando na Câmara dos Deputados. O motivo mais óbvio parece ser a dificuldade dos ilustres se desvencilharem das amarras dos conchavos e da corrupção. Para estes, não deve ser fácil abrir mão do poder minuciosamente elaborado, adquirido em um período secular de enriquecimentos ilícitos. Nos parece que as dificuldades são ainda maiores quando se faz necessário retirar as regalias de alguns, patrocinadores de campanha, correligionários, e afins.

É uma inutilidade falar em reformas na política praticada e não mexer no âmago da questão. Enquanto não se iniciar pela observação da opinião dos quase 136 milhões de eleitores, em sua totalidade, indiferentemente de se ter votado ou não, possíveis reformas não passarão de conversa pra boi dormir, porque não se está atentando para a intenção fundamental de uma eleição que é apurar o sentimento do cidadão. É preciso que se analise o que ele está dizendo, votando neste ou naquele, não elegendo, ou mesmo não indo votar. Por que o cidadão esta agindo assim ou assado?

Neste último caso, ou seja, quando o eleitor não vai votar, deveria ser considerado como crime gravíssimo por parte do cidadão, a menos que este esteja acobertado por justificativas irrefutáveis. O faltoso deveria perder o direito a serviços fundamentais como forma de penalizá-lo pelo seu desleixo para com a sua Pátria. Uma justificativa qualquer do eleitor faltoso não deveria mais encontrar amparo. Hoje, desde que este pague a quantia de alguns míseros reais junto aos cartórios, que na verdade está enchendo os cofres dos fóruns, se livra da responsabilidade e coloca o país em uma situação difícil de ridicularização. Aliás, pelo visto os fóruns tem ganhado e muito com tais valores, por se trinta milhões de pessoas não estão indo votar e pagam valores entre R$ 3,00 e R$ 30,00 pela justificativa, então é de deduzir que alguém está faturando alto com esta falta de comprometimento dos ausentes. Onde será que vai parar tanto dinheiro assim? Pelo jeito não é de interesse de alguns que seja de conhecimento público uma vez que ao buscar dados junto ao TSE encontramos dados relativos ainda ao ano de 2006, ou seja, vergonhosamente bastante desatualizado, por conveniência ou não, sinta-se o leitor livre para tirar suas próprias conclusões.

O fato é que enquanto cidadãos responsáveis, de reputação ilibada, não assumirem estas ausências como uma fonte de dados para análise profunda do nível de consciência e comprometimento popular, entendendo que este fato proporciona prejuízo ao país quando da eleição de representantes ilegítimos através da conveniência proposital da observação tão somente dos votos válidos, qualquer reforma política feita não surtirá qualquer efeito e não trará mudanças e os espertalhões continuarão a juntar as quantias necessárias para comprar votos e se eleger pelo voto de cabresto.

Somente com o fim da lei dos votos válidos é que a reforma política pode ser vista como séria e honesta, com um fim único de beneficio ao cidadão, e qualquer reforma que não se inicie por isto só deve ser entendida como meio de nos manipular e prejudicar. As eleições não podem continuar a ser meio interpretadas, é necessário que se analisem os resultados como um todo. Do Oiapoque ao Chuí, deve-se ouvir a voz de cada um dos cidadãos eleitores deste Brasil, somente deste ponto é que outras mudanças poderão ser bem vistas.

Um comentário:

Elisete XNS disse...

Concordo com você, e acrescento que nesta insólita situação política e de ingovernabilidade em que vivemos, nessa Democracia falida, de fachada, com esse antro de corruptos, por questão de auto-preservação, de não querer ‘largar o osso’, nunca haverá uma verdadeira reforma política elaborada por políticos!
Acho que deveria ser encarada como exercício de cidadania, pela ótica do cidadão, por pessoas desinteressadas em ganhos de altos salários e mordomias... não por esses marginais protegidos por mandatos que apenas cuidarão para sua perpetuação no poder e de todas as vantagens que puderem auferir! E não se iludam, estão se lixando com o destino de nosso país!
Há centenas de Projetos de Lei em tramitação Congresso, e muitas sugestões amontoadas que, sem dúvida, só jogo de palavras com objetivos eleitoreiros! P’ra mim, na atual conjuntura, a verdadeira reforma política é utópica!