A queda de Palocci

Antonio Palocci pede demissão

Ministro da Casa Civil, que teve salto patrimonial de vinte vezes em quatro anos, apresentou pedido de desligamento à presidente Dilma Rousseff

Por Luciana Marques e Carolina Freitas, Portal Veja




O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, pediu demissão do cargo nesta terça-feira. O pedido foi apresentado à presidente Dilma Rousseff durante a tarde. Palocci também anunciou a decisão ao presidente do PT, Rui Falcão, por telefone às 17h30. Disse que precisava dar satisfação ao presidente de seu partido. Ocupante do posto mais importante da Esplanada dos Ministérios, o petista ficou em situação insustentável após as revelações de seu incrível salto patrimonial em poucos anos. O dinheiro vinha de trabalhos de consultoria feitos por Palocci enquanto era deputado federal. Depois de uma conversa com a presidente Dilma no Planalto, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) aceitou o convite para assumir o cargo. A nova ministra tem pouco trânsito entre os senadores do PMDB.

Gleisi é casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e esteve reunida com a presidente logo após o anúncio da saída de Palocci do cargo. Em nota, a presidente Dilma diz que aceitou e lamentou a saída de Palocci. "A presidente destacou a valiosa participação de Antonio Palocci em seu governo e agradece os inestimáveis serviços que prestou ao governo e ao país. Também hoje, a presidenta convidou a senadora Gleisi Hoffmann para ocupar a chefia da Casa Civil da Presidência da República", diz o texto.

A queda de Palocci começou a se desenhar quando veio à tona que o ministro da Casa Civil teve um um aumento de patrimônio de 25 vezes em quatro anos. O dinheiro vinha de trabalhos de consultoria feitos entre 2006 e 2010. Na época, ele era deputado, mas também sócio da empresa de consultoria Projeto. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que, em 2010, o ministro comprou um apartamento de 500 metros quadrados nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, por 6,6 milhões de reais, e, no ano anterior, uma sala comercial na mesma região por 882.000 reais.

A evolução patrimonial não bate com os rendimentos de um deputado e revela que a consultoria era altamente rentável, o que levantou a suspeita de que Palocci aproveitava-se do trânsito no governo federal como ex-ministro da Fazenda para fazer tráfico de influencia.

A situação tornou-se insustentável quando reportagem de VEJA desta semana revelou que o apartamento onde mora a família de Palocci, em São Paulo, é alugado de uma empresa de fachada. O imóvel, de 640 metros, está avaliado em 4 milhões de reais. Os dois sócios da empresa proprietária do apartamento são Filipe dos Santos, de 17 anos, e Dayvini Nunes, de 23 anos, um representante comercial que ganha salário de 700 reais.

Dayvini admitiu em entrevista a VEJA ser laranja. “São coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.”

Silêncio - Em pouco mais de vinte dias, enquanto a crise ganhava contornos mais graves, Palocci e o Palácio do Planalto adotaram a estratégia do silêncio. Dilma Rousseff manteve-se longe de eventos públicos e só fez comentários sobre o caso depois de uma intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele foi a Brasília e reuniu-se com a bancada de senadores para tratar do caso. Dois dias depois, em 27 de maio, Dilma saiu a público para pedir que a questão não fosse politizada. “Quero assegurar a vocês que o ministro Palocci está dando todas as explicações para os órgãos de controle”, disse em entrevista espontânea aos jornalistas, procedimento incomum para a presidente. Leia mais...

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