Itália vai recorrer de decisão sobre Battisti no Tribunal de Haia

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, expressou nesta quinta-feira o "profundo desgosto" de seu país pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não extraditar o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, e afirmou que seu governo irá recorrer da decisão brasileira em outras instâncias internacionais, inclusive no Tribunal Internacional de Justiça de Haia.

A decisão da Justiça brasileira "não leva em consideração a expectativa legítima de que se faça justiça, em particular para as famílias das vítimas de Battisti",
disse Berlusconi em um comunicado oficial.

"A Itália irá continuar com sua ação e ativar as instâncias judiciais oportunas para garantir o respeito dos acordos internacionais que unem os dois países por vínculos históricos de amizade e solidariedade."

O chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, também expressou em um comunicado seu "profundo desgosto" pela decisão brasileira e anunciou que seu país "irá ativar imediatamente qualquer mecanismo jurídico possível junto às instituições multilaterais competentes, em particular o Tribunal Internacional de Justiça de Haia, para conseguir a revisão de uma decisão que não é coerente com os princípios gerais do direito e as obrigações previstas pelo direito internacional".

Frattini declarou que a decisão tomada pelo STF
"ofende o direito à justiça das vítimas dos crimes cometidos por Battisti e está em contradição com as obrigações presentes nos acordos internacionais que unem os dois países".

Além da negativa de extradição, o tribunal brasileiro também decidiu libertar o ex-ativista italiano, detido no país desde 2007.

Battisti foi solto na madrugada desta quinta-feira, após o presidente do Supremo, Cezar Peluso, firmar a ordem de libertação.

O italiano fez parte do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), grupo terrorista de extrema esquerda que atuou na Itália dos anos 1970.

Hoje com 56 anos, Battisti foi condenado à revelia na Itália em 1993 à prisão perpétua por quatro mortes e tentativas de assassinato cometidos pelo grupo em que atuava. Ele sempre negou a autoria dos crimes e disse que sofreu perseguição política.

Imagem: Alan Marques/Folhapress




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Me lembro de novo daquela frase atribuída ao Charles de Gaulle, que na verdade é de um brasileiro, embaixador Carlos Alves de Souza, que durante o conflito pesqueiro entre o Brasil e a França falou que "O Brasil não é um país sério." E não é mesmo!!! O governo brasileiro ofendeu a Itália, ofença essa ratificada pela "Suprema Corte" num ato contrário à civilização e aos tratados por decidir manter no Brasil um terrorista julgado e condenado em seu país por crimes pelos assassinatos de um açougueiro, de um joalheiro, de um agente penitenciário e de um agente de polícia... e por crimes comuns! Houve total descumprimento ao Tratado Internacional firmado entre nosso país e a Itália, e espero que a Corte de Haya faça JUSTIÇA!

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