Código Florestal como foi aprovado poderá agravar mudanças climáticas, alertam cientistas


Agência Brasil - 29/05/2011 - 11h45

Quatro dos cientistas brasileiros que fazem parte do Painel IPCC (Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU (Organização das Nações Unidas), alertaram para o possível agravamento sobre o clima com a entrada em vigência da atual versão do Código Florestal aprovada pela Câmara.

Segundo eles, o aumento da pressão sobre as áreas de florestas comprometerá os compromissos internacionais firmados em 2009 pelo Brasil na Conferência de Copenhague, de diminuir em até 38,9% a emissão de GEE (gases de efeito estufa) e reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia até 2020.

Os cientistas, que são ligados à Coppe-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Gradução de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), falaram sobre o assunto durante um seminário que abordou as conclusões de um relatório do IPCC sobre energias renováveis, realizado na última quinta-feira (26/5).

Para a cientista Suzana Kanh, as posições internacionais assumidas pelo país serão prejudicadas, se o Senado não mudar o texto do código aprovado pela Câmara ou se a presidenta da República, Dilma Rousseff, não apresentar vetos. “O impacto do código é muito grande, na medida em que o Brasil tem a maior parte do compromisso de redução de emissão ligada à diminuição do desmatamento. Qualquer ação que fragilize esse combate vai dificultar bastante o cumprimento das metas brasileiras”, afirmou.

A cientista alertou que haverá mudanças climáticas imediatas no Brasil e na América do Sul com o aumento da derrubada de florestas para abrir espaço à agricultura e à pecuária, como vem ocorrendo no Cerrado e na Amazônia. “Com o desmatamento, há o aumento da liberação de carbono para a atmosfera, afetando o microclima, influindo sobre o regime de chuvas e provocando a erosão do solo, prejudicando diretamente a população”. Leia mais...


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A imagem acima é fascinante... intitulada "Árvore do Furacão", ganhou o prêmio 'O Mundo em Suas Mãos', no Shell Wildlife Photographer of the Year.

O fotógrafo sueco Jocke Bergland sobrevoando a região da Suécia, percebeu a coincidência e registrou... uma acidental combinação de danos a mata por tempestades que derrubaram centenas de árvores (precisamente do furação Gudrun, em janeiro de 2005) também por marcas deixadas na paisagem pelas máquinas florestais usadas para recuperação dos troncos.

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