Data Senado: 6 em cada 10 querem o voto facultativo

Por Josias de Souza, Folha Online

Pesquisa feita pelo Senado revela: seis em cada dez eleitores desejam que o voto deixe de ser obrigatório no Brasil.

A julgar pelo resultado da pesquisa, o objetivo do eleitor não é o de fugir das urnas. Ao contrário.

O apreço do brasileiro pelo processo eleitoral manifesta-se em dois dados da pesquisa.

Num, 65% dos entrevistados dizem preferir o voto facultativo. Noutro, 85% declaram que iriam às urnas mesmo se o voto não fosse obrigatório.

A sondagem do DataSenado foi feita entre os dias 21 e 29 de março. Ouviram-se 797 eleitores residentes nas 26 capitais e no Distrito Federal.

As entrevistas foram relizadas pelo telefone. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais –para mais ou para menos.

No essencial, o resultado mostra que a comissão de reforma política do Senado navega na contramaré da opinião dos eleitores.

No caso do voto, a comissão já deliberou que incluirá no projeto a manutenção da obrigatoriedade do comparecimento às urnas.

Os membros da comissão também decidiram, por maioria, propor a adoção do sistema eleitoral de voto em lista.

Nesse modelo, o eleitor é privado de escolher os nomes de sua preferência. Vota no partido. Elegem-se os candidatos acomodados em listas pré-definidas pelas legendas.

De acordo com a pesquisa do Senado, a preferência do eleitor aproxima-se do voto distrital clássico, um sistema que a comissão nem chegou a considerar.

A opinião dos pesquisados resulta da combinação das respostas dadas a três perguntas.

1. 83% disseram que querem votar diretamente nos candidatos. Nada de voto em partido ou em lista engessada e pré-definida.

2. 55% desejam que sejam considerados eleitos aqueles que receberem mais votos. Nada de votar em Tiririca e eleger, por tabela, o ‘coligado’ Protógenes Queiroz.

3. 64% defendem que a circunscrição eleitoral seja uma pequena região do Estado ou dos municípios.

Juntando-se os três dados (voto direto, triunfo dos mais votados e circunscrição reduzida a distritos), chega-se ao voto distrital puro.

A comissão de reforma política do Senado contraria o eleitor também quanto à reeleição e à duração dos mandatos de cargos executivos.

Os senadores decidiram injetar na proposta o fim da reeleição e a ampliação dos mandatos (prefeitos, governadores e presidentes) de quatro para cinco anos.

A maioria dos entrevistados pelo DataSenado (58%) prefere a manutenção do modelo atual: mandatos de quatro anos, com direito a uma reeleição.

Em relação aos suplentes de senadores, a opinião dos eleitores aproxima-se do que foi aprovado na comissão.

Sete em cada dez entrevistados acham que os senadores devem ter um único suplente, não dois como ocorre hoje. Só assumiriam em caráter provisório.

A comissão aprovou proposta que prevê um suplente. Em caso de morte, renúncia ou cassação, o suplente ocuparia a cadeira apenas até nova eleição.

A maioria dos entrevistados (53%) defendeu o fim das coligações partidárias. Algo que a comissão também já aprovou.

Quanto à fidelidade partidária, 56% dos pesquisados posicionaram-se a favor da tese de que o eleito deve ser obrigado a permanecer no partido por determinado prazo.

Sobre isso, a comissão ainda não deliberou. Parte dos senadores rende homenagens à fidelidade. Outra parte quer flexibilizar as regras a partir de 2014.

Sobre a partilha do dinheiro público do fundo partidário e a divisão do tempo da propaganda de TV, os eleitores revelaram-se novidadeiros.

A grossa maioria (67%) acha que as verbas deveriam ser rateadas de forma igualitária. Hoje, recebe mais quem tem mais cadeiras na Câmara.

Maioria ainda mais expressiva (85%) acha que todas as legendas deveriam dispor do mesmo tempo de TV nas campanhas eleitorais.

Hoje, o espaço televisivo é dividido conforme o tamanho das bancadas de deputados das legendas que integram as coligações. Coligações que o eleitor (53%) quer extirpar.

Tudo considerado, fica evidente que, nos tópicos essenciais, a reforma empinada pelos senadores contraria a posição dos eleitores ouvidos pelo Senado.

Um comentário:

Marcos Borkowski disse...

O sistema eleitoral adotado no Brasil só é aceitável mesmo pelos próprios canalhas oportunistas que o elaboraram. A primeira situação que deveria ser observada pelos cidadãos em idade eleitoral é a respeito da consideração de apenas dos votos válidos, pois a inconsciência popular não é capaz de atentar para o fato de que isto já é um indício de que as eleições não são realizadas com honestidade. Uma eleição honesta considera a opinião de 100% dos eleitores e não de apenas alguns. A pergunta primeira a ser levantada é: "o que o cidadão está querendo dizer?". Se o cidadão não está indo votar ou se ele está anulando seu voto é porque algo está errado para ele. O sistema atual privilegia aos interesseiros e aos filiados nos partidos políticos, pois de qualquer forma, se só estes votarem, mesmo que sendo a minoria, o resultado será válido, mesmo que só um destes vote, o resultado será considerado, pois é o que rege o Código Eleitoral atual.

VOTOS VÁLIDOS: manipulação que visa a manutenção da classe política e dos seus financiadores oportunistas no poder.

VOTO FACULTATIVO: é outro erro na conduta do esclarecimento do cidadão. Votar é a obrigação primeira de um cidadão esclarecido. É um dever para com a Pátria. Não havendo esta obrigação, o cidadão desleixado e preguiçoso entregará o que é seu para o bandido, causando a desgraça na vida de todos. Não sendo obrigado, o cidadão brasileiro não irá manifestar a sua opinião, isto é um fato. Infelizmente, vai ficar dormindo, ou vai fazer qualquer outra coisa, mas não vai exercer o seu papel fundamental. Somos todos conhecedores de como é formada a mentalidade preguiçosa do cidadão, e é exatamente isto que acontecerá, lamentavelmente para alguns e desgraçadamente para o Brasil.