Porque passei de militante petista a propagador do Movimento Voto Nulo

Em 1986, aos 20 anos de idade, participei da minha primeira eleição. Jovem, em uma época que a maioria adorava vestir camisetas e jaquetas com a bandeira da Inglaterra nas costas nas cores vermelha, azul e branca e eis que surge em minha frente um candidato ao Governo do Estado pelo PMDB. Político, de palavras fáceis, apresentando promessas de melhorias, sendo este o meu primeiro voto perdido dado ao tal candidato, que enganou a tantos outros também e que acabou sendo eleito.
De fato, este erro não foi somente meu, pois neste período, o PMDB tomou conta do país elegendo 22 governadores, 38 das 49 cadeiras no Senado e 260 das 487 vagas na Câmara dos Deputados. É bastante óbvio que não demorou muito até que a sociedade entendesse que um único partido administrar todo o país não era algo salutar, pois não se tinha a tão necessária contestação, a diversidade e a pluralidade de idéias.

Então surge no cenário nacional a turma do Partido dos Trabalhadores - PT, aliás um nome bastante sugestivo, mas enfim, uma nova esperança. Berravam palavras de ordem em manifestações e em greves, contestando a tudo que era contrário aos anseios da população menos favorecida, tudo que precisávamos ouvir naquele momento de tantas dúvidas. Agora as cores eram somente a vermelha em uma bandeira com uma estrela branca ao centro. Surgiram também seus personagens principais e dentre eles um que se destacava. Este dizia-se um sindicalista, um ex-trabalhador e que logo tornou-se o líder, o ídolo, e não somente meu, mas de milhões pelo país afora.

Ser petista era um honra para nós, idealistas. Porém, com o passar do tempo fomos forçados a descobrir a duras penas que era somente para nós. Nos tornamos vítimas de preconceitos, de discriminações e de perseguições. Se outros soubessem que pertencíamos ao partido, nos perseguiam fosse onde fosse, inclusive em nossos empregos onde nos colocavam de lado e muitos chegaram ao ponto de serem demitidos por pura retaliação. O cidadão pertencente ao PT mais parecia um portador de uma doença contagiosa.

Chego a dizer, entre aspas é claro, que nós petistas levamos muitos “tapas na cara” por aí, e tudo isso sem se importar, sem que fraquejássemos, pois o que queríamos era ver nossos candidatos eleitos e o nosso líder e ídolo como Presidente do Brasil. Perdemos por três vezes, até que em 2002 vencemos. Uma euforia total que tomou conta de todos nós. Festejávamos por todo o país, mas nossa alegria durou poucos meses. De repente começamos a perceber que alguns da cúpula começaram a ter divergências e se retirar do partido. Mas como pode isto estar acontecendo? Nos perguntávamos. Nós, que tanto fizemos pelo partido, agora éramos obrigados a aceitar alianças com os antigos adversários que tanto nos puniram, que tantas perdas proporcionaram em nossas vidas, e agora estavam sendo abrigados pelos líderes em meio a alianças com o pretexto de se conseguir governabilidade. Inúmeros e vergonhosos casos de corrupção estourando como mensalão, sanguessugas, etc.

A única conclusão que pude chegar é que tudo não passou de um monte de mentiras, novamente a aplicação das palavras fáceis por novos mentirosos com o intuito único de enganar para conseguir o poder. Ser petista não era mais um motivo de orgulho e sim de vergonha, pois na verdade não passavam de uns politiqueiros, canalhas e enganadores, e não somente eu, mas muitos saíram do partido. Das imagens de ídolos, passamos a ver imagens de corruptos e não menos bandidos que os nossos antigos adversários. Uma traição a tudo que pregávamos e que acreditávamos que aconteceria para enfim mudar os rumos deste Brasil.

Como perdi a esperança e não via nada de melhor em nenhum outro partido político, pois realmente são todos iguais, e também pelo fato de ser sim muito honesto comigo mesmo, passei a opção valorosa do Movimento Voto Nulo que abriu meus olhos no sentido de que para se combater esta política horrorosa praticada no Brasil, somente anulando o voto. E de fato não existe outra possibilidade para se conseguir que os partidos passem a olhar pelo povo, se desejamos mudanças de fato no país, é somente fazendo com que eles percam eleições, percam poder, e é claro, percam as suas tão amadas verbas, pois se você quer que algo mude, nada melhor do que começar a mexer no bolso deles, nos seus ganhos, na sua fonte de manutenção.

Desde 2005 passei a propagar o MOVIMENTO VOTO NULO, pois como ex-militante e conhecedor do âmago dos partidos políticos, estou convicto que em todos somente existem interesseiros, mentirosos e enganadores, que visam unicamente o poder e o seu bem-estar pessoal, jamais considerando realizar algo em pról do povo. Para este povo, o que presenciamos de fato, são obras ínfimas, paliativas, com propósitos políticos-eleitoreiros. É bastante óbvio que a pessoa quando entra para uma sigla partidária já está coberta de más intenções, e com raríssimas exceções, quando tenta fazer algo, não se cria, ou participa do jogo sujo ou é "convidada" a cair fora. Esta é a lastimável verdade da malfada política brasileira de intermináveis atos de corrupção que só proporcionam ao povo decepções e desgraças. Estes são fatos, e contra isto não há argumentos, realmente o país chora de norte à sul. Essas são as únicas verdades que conheço hoje em dia.

Se você, como nós, quer contribuir de fato para com a sua Pátria, VOTE NULO, pois não há outra alternativa. É preciso ter coragem e atitude neste momento tão importante e decisivo para o nosso Brasil !!!