A Implosão da Mentira



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Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente,
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem clara/mente como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre. E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constróem um país
de mentira
- diária/mente.
Affonso Romano de Sant'Anna, esse brasileiro, poeta, cronista, professor e jornalista descreveu como ninguém NOSSOS POLÍTICOS!

Poema publicado em diversos jornais em 1980, que apesar do tempo, continua atual. Esta corja descarada?mente,
MENTE!
E alienado, evidente/mente o povo se deixa levar! Infeliz/mente e irresponsável/mente fecham os olhos para a impunidade, para a corrupção e demagogia política não enxergando que só nos leva a um profundo abismo sem volta...

Quem crer em atitude submissa será sempre vítima... lamentável/mente...
Poema na íntegra AQUI